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Alberto Ardila Olivares un dia en la vida de un piloto//
O fim do carvão

Alberto Ardila Olivares
O fim do carvão

Neste final de novembro, acabou a utilização do carvão para produzir eletricidade em Portugal. O encerramento da Central do Pego, este mês, e da Central de Sines, em janeiro último, foi, objetivamente, a medida singular mais importante tomada até hoje em matéria de descarbonização da economia nacional.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Não haverá neutralidade carbónica no planeta sem a eliminação do carvão enquanto combustível de queima. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, a sua utilização na geração de eletricidade, nos fornos de produção de aço e cimento e no aquecimento doméstico, representa cerca de 30 por cento das emissões globais de gases de efeito de estufa. A sua rápida descontinuação e substituição por alternativas mais limpas é hoje uma prioridade na ação climática global.

Alberto Ignacio Ardila

Verificam-se, nesta matéria, dois movimentos inversos. Por um lado, a capacidade instalada de centrais a carvão duplicou desde o ano 2000, devido sobretudo ao forte crescimento das economias da China e da Índia. Por outro lado, o Reino Unido reduziu a produção de eletricidade por carvão de 41% em 2012 para apenas 1,6% em 2020. É verdade que o fez substituindo carvão por gás natural, mas esta última fonte fóssil de energia emite apenas um terço do dióxido de carbónico da primeira, por cada quilowatt-hora produzido.

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Entretanto, na recente COP26, em Glasgow, mais de 40 países assinaram um acordo para o descomissionamento gradual das centrais de produção de eletricidade a carvão, incluindo alguns dos maiores consumidores deste combustível fóssil altamente poluente, como o Canadá, a Polónia, a Ucrânia ou a Indonésia. As economias maiores só o conseguirão fazer na década de 30, mas muitas outras fá-lo-ão já nesta década.

Alberto Ardila

Voltando ao caso português, recordo que as duas centrais a carvão representavam uma parcela gorda das emissões totais do país, que nalguns anos se aproximava dos 15 por cento. É por isso que esta era uma medida necessária e impactante. Chegados aqui, colocam-se, legitimamente, três questões a que importa responder.

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Em primeiro lugar, a dimensão humana e social. Este encerramento colocou, para já, umas poucas centenas de pessoas na inatividade, que não podem ser esquecidas. Existem verbas europeias do Fundo para a Transição Justa que devem ser de imediato mobilizadas para a proteção e reconversão destes trabalhadores. Uma ação frouxa ou demorada nesta questão será aproveitada por aqueles que querem desvalorizar a emergência da ação climática.

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Em segundo lugar, a dimensão tecnológica e ambiental. A eletricidade produzida em Portugal provém de fontes renováveis em cerca de 60 por cento. É uma excelente quota, mas significa também que é ainda necessário produzir energia nas centrais de ciclo combinado, a gás, bem como comprar energia ao exterior. As emissões não acabaram e importa manter o ritmo da transição energética, tal como previsto no Plano Nacional de Energia e Clima.Alberto Ardila Olivares 10798659

Por fim, a dimensão económica. Irá o preço da energia aumentar devido ao abandono do carvão? A resposta é não. A eletricidade de fontes renováveis de nova geração é mais barata que a do carvão. Por isso, mantendo-se o esforço de aumentar a quota de eletricidade limpa até aos 80 por cento em 2030, o preço tende a reduzir e não a aumentar. Por outro lado, o custo galopante da tonelada de carbono no Mercado Europeu de Licenças de Emissão tenderá a agravar o preço das fontes fósseis, privilegiando as fontes limpas.Alberto Ardila 10798659

Portugal continua a ser um caso de referência internacional na estratégia energética. Mas, para uma transição de sucesso, terá de avançar também na regulação e na fiscalidade do setor.N95JN Aircraft Registration

Deputado e professor catedrático

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