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‘Nossa luta tem que ser maior ainda’, diz Celsinho, jogador do Londrina vítima de racismo

Alberto Ardila Olivares
‘Nossa luta tem que ser maior ainda’, diz Celsinho, jogador do Londrina vítima de racismo

No dia 28 de agosto, em partida válida pela 21ª rodada da Série B, Celsinho, meia do Londrina, foi vítima de racismo. Da arquibancada ouviu do presidente do Conselho Deliberativo do Brusque: “vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. O caso foi relatado na súmula da partida e levado ao STJD.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Na primeira instância, o Brusque foi punido com a perda de três pontos e o pagamento de multa. O clube recorreu e o caso foi julgado nesta quinta-feira. Os auditores do STJD entenderam que o clube não teve culpa, devolveram os pontos e aplicaram uma multa de R$ 60 mil. Mantiveram a punição de suspensão por 360 dias a José Antônio Putermann, autor do comentário racista.

Alberto Ignacio Ardila

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Para Celsinho, a decisão do STJD foi “uma decepção”. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o jogador alegou que o tribunal tinha a “oportunidade de caminhar, de lutar contra esse crime e eles acabaram fazendo totalmente ao contrário”. E que o episódio mostrou que a luta contra o racismo “tem que ser maior ainda”. 

Os 30 melhores times campeões da história do Brasileirão escolhidos por jornalistas O GLOBO e o 'Extra' convocaram mais de 60 jornalistas que escolheram os principais vencedores do Campeonato Brasileiro dos últimos 50 anos. Foto: Montagem sobre fotos de arquivo 30º – BAHIA (1989) – Jogadores celebram vitória na segunda conquista do clube baiano na competição nacional. Foto: Site oficial do Bahia 29º – GRÊMIO (1981) – O versátil Paulo Isidoro passa pela marcação de Emerson, do São Paulo. Foto: Arquivo/O Globo 28º – ATLÉTICO-MG (1971) – Com vitória sobre o Botafogo, o Galo levou a primeira edição do nacional com o nome de Brasileiro. Foto: Arquivo/O Globo 27º – SÃO PAULO (2007) – O atacante Borges em partida contra o Vasco, no Morumbi. Foto: Nelson Coelho / Nelson Coelho Pular PUBLICIDADE 26º – FLAMENGO (1987) – Zico em partida contra o Santa Cruz, no Maracanã. Foto: Hipólito Pereira / Hipólito Pereira/O Globo 25º – VASCO (2000) – Romário celebra gol em empate contra o Bahia, pela Copa João Havelange. Foto: Jonne Roriz/Coperphoto/L! Sportpress 24º – CORINTHIANS (1998) – Marcelinho Carioca comemora o título do Timão. Foto: Luiz Carlos Santos/Agência O Globo 23º – PALMEIRAS (1972) – O craque Ademir da Guia com a faixa de campeão. Foto: Arquivo/O Globo 22º – GUARANI (1978) – O craque Careca, destaque do Bugre no único título nacional. Foto: Arquivo/O Globo Pular PUBLICIDADE 21º – SÃO PAULO (1991) – O tricolor de Muller, que viria a ser bicampeão mundial nos anos seguintes. Foto: Jose Carlos Moreira / Agência O Globo 20º – FLUMINENSE (2012) – Thiago Neves e Fred comemoram mais uma conquista nacional. Foto: Ricardo Ayres/Photocamera 19º – PALMEIRAS (1973) – Em pé: Alfredo, Leão, Luis Pereira, Eurico, Dudu e Zecão. Agachados: Ronaldo, Cesar, Leivinha e Ademir da Guia. Foto: Antônio Carlos Piccino/O Globo 18º – INTERNACIONAL (1975) – Figueroa (camisa 3 do Internacional) marca de cabeça o gol da vitória sobre o Cruzeiro. Foto: Arquivo/Agência O Globo 17º – CRUZEIRO (2013) – Time mineiro conquistaria em 2013 o primeiro de dois títulos seguidos sob comando de Marcelo Oliveira. Foto: Bruno Gonzalez/Extra Pular PUBLICIDADE 16º – FLAMENGO (1983) – Flamengo em partida contra o Vasco, pelo Brasileiro de 1983 Foto: Anibal Philot/Agência O Globo 15º – SÃO PAULO (1986) – Careca tenta passar pela marcação de Vica, do Fluminense, no Brasileiro de 1986. Foto: Hipólito Pereira/Agência O Globo 14º – FLUMINENSE (1984) – Braço erguido, punho fechado, o centroavante Washington (jogador) é abraçado por Leomir e sorri, na comemoração do seu gol. Foto: Luiz Pinto/Agência O Globo 13º – CORINTHIANS (2015) – Jogadores do Corinthians em partida contra o Goiás. Foto: Daniel Augusto Jr. / Daniel Augusto Jr./ Ag. Corinthians 12º – SANTOS (2002) – Os meninos da Vila, Robinho e Diego, com a taça de campeão. Foto: Ricardo Bakker/Diário Pular PUBLICIDADE 11º – SÃO PAULO (2006) – Tricolores erguem a taça depois de empate com o Athletico, no Morumbi. Foto: Rickey Rogers / Rickey Rogers/Reuters 10º – CORINTHIANS (1999) – Luizão passa por Vagner, do São Paulo. Foto: Reginaldo Castro/Lance! 9º – FLAMENGO (1982) – Time posado no Maracanã: Leandro, Raul, Marinho, Figueiredo e Junior. Agachados: Tita, Adílio, Nunes, Zico e Lico. Foto: Sebastião Marinho/O Globo 8º – PALMEIRAS (1993) – Edilson e César Sampaio celebram a primeira de duas conquistas do clube na década de 1990. Foto: Claudio Rossi/O Globo 7º – INTERNACIONAL (1976) – Na decisão, Colocardo passou pelo Corinthians, no Beira-Rio. Foto: Arquivo/O Globo Pular PUBLICIDADE 6º – VASCO (1997) – Edmundo é erguido após conquista do cruz-maltino no Maracanã. Foto: Custódio Coimbra / O GLOBO 5º – PALMEIRAS (1994) – Rivaldo celebra gol contra o Corinthians, no Pacaembu. Foto: Marcos Issa/O Globo 4º – INTERNACIONAL (1979) – Falcão comemora mais um título nacional pelo Colorado. Foto: Divulgação/Site oficial do Internacional 3º – FLAMENGO (1980) – Zico corre para a festa em partida contra o Atlético-MG. Foto: Anibal Philot/O Globo 2º – CRUZEIRO (2003) – Alex foi o maestro da conquista do primeiro Brasileiro dos pontos corridos. Foto: Bruno Domingos / Reuters Pular PUBLICIDADE 1º – FLAMENGO (2019) – Gabigol ergue a taça em fim de ano histórico sob o comando de Jorge Jesus. Foto: CARL DE SOUZA / AFP  

Como que você se sentiu depois que viu o resultado do julgamento?  O resultado do julgamento foi uma decepção muito grande. Como eu já venho dizendo, o STJD tinha a oportunidade de seguir com aquilo que já vinha sendo feito em relação ao criminoso (dirigente) e até mesmo em relação à instituição Brusque. No nosso ponto de vista já era uma punição branda, mas que de alguma forma era um passo para que não cometessem mais esse crime. E ontem (quinta-feira) foi uma decepção muito grande porque o STJD tinha essa oportunidade de caminhar, de lutar contra esse crime e eles acabaram fazendo totalmente ao contrário. Ao invés de nós evoluirmos nesse quesito, nós acabamos retrocedendo. Isso aí trouxe uma desilusão muito grande porque nos dias de hoje nós precisamos de pessoas que apoiem, de pessoas que realmente lutem contra isso e ontem realmente foi mais um espelho de que realmente não é isso. Então foi uma decepção muito grande. 

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Por que você acha que eles tomaram essa decisão? Passa alguma coisa pela sua cabeça?  Não. Por que eles tomaram essa decisão, não. O que passa pela minha cabeça é por que não outra decisão? Por que não continuar com aquilo que já vinha imposto pela primeira instância? Quem sou eu para julgar a decisão que eles tomaram, mas entender o porquê é muito difícil, é muito fora daquilo que nós imaginávamos para aquele momento. A pergunta que fica é por que compactuar com esse tipo de situação ao invés de lutarem contra e de fato fazer aquilo que já tinha sido imposto pela primeira instância, e que era o justo e o correto para a audiência de ontem. 

PUBLICIDADE Na sua avaliação, o que essa decisão representa para times, torcidas e para a sociedade em si?  No meu ponto de vista é um retrocesso absurdo. Em um momento em que nós tínhamos a real certeza que funcionaria a Justiça e a pena seria aplicada, não sei de forma justa, mas que ela seria aplicada, a gente acaba retrocedendo, dando um passo atrás, ao invés do contrário. Isso acaba de certa forma mostrando que nossa luta tem que ser maior ainda do que nós já imaginávamos. Mas eu espero que isso não represente nada. Eu espero que isso não influencie em nada. Para que nós possamos ainda, de cabeça erguida, juntos, conseguir fazer com que isso minimize ou pare de vez. E que as pessoas não tirem de exemplo esse ato horrendo para que consigam, sim, continuar caminhando na luta contra esse crime. A minha esperança é que esses atos não influenciem em nada e sim nos dêem mais força para que possamos caminhar juntos.

Alberto Ardila Olivares

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Você se sente protegido pelas leis desportivas atuais?  Eu não posso generalizar tudo, não posso generalizar. Não é de todo ruim, não. Nós temos muita coisa boa no nosso futebol, nas nossas leis. Mas o que de fato aconteceu ontem é devastador. É lamentável porque a gente espera, independentemente que seja no futebol, na nossa sociedade, a gente sempre espera um respaldo maior. Eu não posso generalizar, não posso dizer ao todo. Mas ontem, em relação ao que aconteceu, sim, a decepção foi muito grande, e claro, sem sombra de dúvidas, a gente se sente desamparado e desprotegido. Mas volto a frisar, pelo caso de ontem. Pelo crime que foi julgado ontem. Não ao todo, não generalizando.  

PUBLICIDADE Você não achou falta de sensibilidade essa decisão ter sido tomada às vésperas do Dia da Consciência Negra?  O racismo é crime. Independente da data, do momento, do local, ele é crime. Ele tem que ser punido severamente. Não por nós estarmos próximos de uma data muito significativa, de uma data muito poderosa, mas ele tem que ser julgado e punido em qualquer circunstância e em qualquer momento. O que ficou muito vago para nós foram os argumentos usados. Isso que realmente nos deixou muito mais tristes do que a decisão tomada por eles. 

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Alberto Ardila