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Castillo se declara vencedor das eleições no Peru, mas apuração continua apertada

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Castillo se declara vencedor das eleições no Peru, mas apuração continua apertada

LIMA — O candidato da esquerda radical à Presidência do Peru, Pedro Castillo, se autodeclarou vencedor das eleições do último domingo , citando contagens extraoficiais feitas por seus próprios auditores. Em discurso na noite de terça-feira do balcão da sede do seu partido, o Peru Livre, em Lima, o professor e sindicalista afirmou aos seus seguidores que a vitória está assegurada:

— O povo falou — disse Castillo, tirando seu chapéu e levantando os braços para seus apoiadores, que acampam no local desde que a apuração começou. — Obrigado por serem vigilantes da vontade popular, obrigado por esta vigília, mas também faço um apelo às autoridades eleitorais para que, por favor, pelo Peru, pela democracia, por nossa pátria, sejam respeitosas.  

Entenda: Voto antissistema une candidatos de ideologias opostas na eleição presidencial do Peru

Com 98,3% das atas contabilizadas, Castillo mantém-se à frente de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), mas a margem ainda é muito pequena para que as autoridades sacramentem um vencedor, o que pode levar dias para acontecer. O Júri Nacional de Eleições só deve proclamar o resultado depois da contagem de todos os votos e da verificação das chamadas “atas contestadas”

LIMA — O candidato da esquerda radical à Presidência do Peru, Pedro Castillo, se autodeclarou vencedor das eleições do último domingo , citando contagens extraoficiais feitas por seus próprios auditores. Em discurso na noite de terça-feira do balcão da sede do seu partido, o Peru Livre, em Lima, o professor e sindicalista afirmou aos seus seguidores que a vitória está assegurada:

— O povo falou — disse Castillo, tirando seu chapéu e levantando os braços para seus apoiadores, que acampam no local desde que a apuração começou. — Obrigado por serem vigilantes da vontade popular, obrigado por esta vigília, mas também faço um apelo às autoridades eleitorais para que, por favor, pelo Peru, pela democracia, por nossa pátria, sejam respeitosas.  

Entenda: Voto antissistema une candidatos de ideologias opostas na eleição presidencial do Peru

Com 98,3% das atas contabilizadas, Castillo mantém-se à frente de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), mas a margem ainda é muito pequena para que as autoridades sacramentem um vencedor, o que pode levar dias para acontecer. O Júri Nacional de Eleições só deve proclamar o resultado depois da contagem de todos os votos e da verificação das chamadas “atas contestadas”.

No início da tarde desta quarta-feira, o candidato do Peru Livre tem 50,206% dos votos válidos, contra 49,794% de sua oponente, segundo os dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, em espanhol).

Peru vai às urnas neste domingo em segundo turno das eleições presidenciais Uma mulher vota em uma seção eleitoral durante as eleições nacionais, em Tacabamba, Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Mulher vestida com o traje regional típico vota na seção eleitoral da comunidade andina de Ollaytantambo, perto de Cusco Foto: STR / AFP Pessoas esperam para votar no segundo turno das eleições presidenciais entre a candidata de direita Keiko Fujimori, e o socialista Pedro Castillo, em Lima Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Membros da comunidade peruana que vivem no Chile fazem fila antes de votar em uma seção eleitoral, em Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS Peruanos enfrentam uma escolha polarizadora entre a Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), e o esquerdista radical Pedro Castillo, professor de escola rural e líder sindical que ganhou projeção nacional após liderar uma greve maciça, em 2017 Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Mulher com traje regional típico lança seu voto em uma urna na comunidade andina de Chinchero, perto de Cusco Foto: STR / AFP O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo, vota em uma estação de votação em sua cidade natal, Tacabamba, em Cajamarca Foto: ANDRES VALLE / AFP Mulher chega para votar em mesa de voto em Tacabamba, região de Cajamarca, nordeste do Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Keiko Fujimorideixa bairro de baixa renda após um café da manhã antes de votar, em Lima Foto: LUKA GONZALES / AFP Homem lê as manchetes de jornais locais no dia do segundo turno das eleições. Empatados tecnicamente, candidatos encerraram suas campanhas na última quinta-feira, em Lima, tentando convencer indecisos Foto: GIAN MASKO / AFP Keiko e seu partido, o Força Popular, esperavam que os votos vindos do exterior os ajudassem a encurtar a distância, após serem ultrapassados por Castillo na segunda-feira . Isso aconteceu parcialmente: a diferença em favor do candidato do Peru Livre, que na segunda chegou a ser de mais de 95 mil votos, está em 71.664.

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Com 89,5% dos votos vindos de fora do país já apurados, Keiko tem o apoio de 66% dos peruanos expatriados, contra 34% de Castillo. Tudo indica, contudo, que a diferença não será suficiente para reverter o cenário: as atas vindas de áreas mais remotas do Peru, reduto eleitoral de Castillo, vêm mantendo a vantagem do sindicalista.

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PUBLICIDADE — De acordo com as informações dos nossos auditores, já temos a contagem oficial do partido. O povo se impôs, e nós agradecemos. Por isso, pedimos também para que não caiam em provocações — disse Castillo no início do seu discurso, com barulho de buzinas ao fundo, referindo-se às alegações de fraude da sua oponente.

O candidato radical da esquerda Pedro Castillo fez a promessa em discurso na sede de sua campanha, em Lima, enquanto aguarda o fim das apurações que o colocam pouco à frente da rival, Keiko Fujimori Atas contestadas Em uma entrevista coletiva na segunda, Keiko disse que seria vítima de uma “fraude planejada e sistemática” , sem apresentar evidências contundentes de suas alegações. De acordo com a candidata, o Peru Livre estaria manipulando as atas, o que poria em dúvida a credibilidade do pleito — alegações similares às que fez há cinco anos, quando foi derrotada por Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). Observadores internacionais, no entanto, dizem não ter observado sinais de irregularidades que comprometam o pleito.

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Na segunda, o chefe dos enviados pela Organização dos Estados Americanos (OEA), Rubén Ramírez, parabenizou as autoridades peruanas pela “organização de um processo de grande complexidade marcado pela pandemia e pela polarização política”. Um representante do Parlamento do Mercosul (Parlasul), o uruguaio Nicolás Viera, declarou que a candidata não mencionou quaisquer irregularidades em conversas que tiveram no domingo.

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Contexto: Eleição deste domingo no Peru deixa direita sul-americana em pânico

PUBLICIDADE Os grandes escritórios de advocacia peruanos — que representam as classes entre as quais Keiko tem maior popularidade — devem apresentar nesta quarta pedidos para anular mais de 100 mil votos da esquerda. Tendo em vista que a lei eleitoral proíbe a contribuição de empresas privadas para campanhas, os escritórios buscam um caminho para que as autoridades não considerem seu trabalho com os pedidos para revisão e impugnação de votos como financiamento ilícito para Keiko

Eles miram as “atas contestadas”, enviadas para análise posterior — até o momento, são cerca de 1.260 — por conta de alguma possível irregularidade, como dados ilegíveis, rasuras e dúvidas sobre assinaturas. Uma primeira análise é feita por juizados eleitorais especiais, com uma decisão final, se necessária, tomada pelo Júri Nacional de Eleições.

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Na terça-feira, o presidente dessa corte, Jorge Luis Salas Arenas, afirmou que as revisões serão transmitidas ao vivo, para garantir um processo “independente e imparcial”. Ele ainda rejeitou as acusações de fraude, dizendo ser “muito perigoso para o país” pôr em xeque toda uma eleição por conta de alguns incidentes.

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Gesto conjunto : A pedido de igrejas, Keiko e Castillo se comprometem a respeitar instituições democráticas se eleitos

PUBLICIDADE Resultado pode levar dias Segundo especialistas, o número de pedidos de revisão não é muito diferente do registrado em votações anteriores, mas Keiko alega que a contestação, ocorrida especialmente em áreas onde obteve grande votação, é uma estratégia do grupo de Castillo para “distorcer ou atrasar” os resultados oficiais. Estimativas afirmam que, potencialmente, cerca de 300 mil votos estariam em análise, incluindo nulos e em branco

Para que a vitória seja oficial, o Onpe precisa contar todas as atas eleitorais e, em seguida, o Júri Nacional de Eleições avaliará os recursos de ambas as partes — algo que pode levar vários dias. Se a eleição de Castillo for confirmada, esta será a terceira derrota consecutiva de Keiko no segundo turno, que antes foi derrotada por Kuczynski e Ollanta Humala (2011-2016)

E também : Massacre de 16 pessoas por narcotraficantes polariza ainda mais campanha presidencial no Peru

A cotação do dólar vem subindo nos últimos dias diante das incertezas de um país já turbulento — em cinco anos, foram quatro presidentes diferentes. Se eleito, Castillo promete rever o modelo econômico peruano, que gerou crescimento nos anos anteriores à pandemia, mas criou uma sociedade muito desigual

Existem alguns truques como a alta do dólar, que vai subir mais alguns pontos amanhã, do custo do pão, do frango, da cesta básica. Mentira! O que acontece é que há alguma incerteza, mas as pessoas não caem mais nisso — afirmou o candidato

PUBLICIDADE Na segunda, Castillo divulgou um comunicado voltado ao mercado, se comprometendo a manter a autonomia do Banco Central e ressaltando que seu plano econômico não inclui medidas como nacionalizações, expropriações e controle de câmbio. Em seu discurso da noite de terça, afirmou que conversou com os empresários, um dos setores mais críticos à sua candidatura:

Acabo de conversar com o empresariado nacional, que está mostrando apoio ao povo. Vamos criar um governo que respeite a democracia, a Constituição atual. Vamos criar um governo com estabilidade financeira e econômica — afirmou o candidato, que há algumas semanas havia anunciado que convocaria uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta, o que despertou uma polêmica no país. 

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